em 2008 iniciei uma busca por me sentir útil através da matemática. de lá pra cá, tive algumas pseudo-clarezas, iniciativas sociais e um empreendimento digital que falhou. travei inúmeras batalhas internas e externas. em fevereiro 2025, acreditei ter encontrado o meu caminho: atuar com matemática para o enfrentamento de desafios globais, com ênfase na erradicação da pobreza e redução das desigualdades.
mas questionei, para não virar prisioneiro da minha própria narrativa. recentemente, refleti honestamente se aquela definição de prioridade correspondia mesmo a um propósito genuíno, por não me emocionar...
e isso perturbou seriamente o meu espírito.
então, ganhei consciência de algo importante: se eu aceitar que minha paixão é a matemática, e que eu decidi colocá-la a serviço de problemas aplicados relevantes porque isso amplia a minha contribuição — eu teria coerência, liberdade e paz.
com isso internalizado, consegui estabelecer as seguintes facetas do meu propósito:
propósito ético: eu escolho pesquisar algo porque acredito que é uma forma responsável de usar meu talento e formação, mesmo que não mexa emocionalmente comigo. isso não me soa como frieza, mas como maturidade.
propósito pessoal: é o que realmente aquece a minha alma, aquilo que eu faria mesmo sem reconhecimento ou recompensa externa, porque é um prazer intrínseco.
talvez o meu propósito pessoal esteja mais em resolver problemas matemáticos complexos, criar materiais perenes e beleza intelectual. e o propósito ético esteja em canalizar esse prazer para algo útil ao mundo.
propósito em ciência pode ser ético, racional e estrutural, não necessariamente emocional. muitos grandes cientistas que impactaram a saúde, a pobreza ou as desigualdades eram movidos por curiosidade matemática ou paixão por modelos, e só depois perceberam o alcance social de suas descobertas.
talvez eu esteja no mesmo caminho: o “sentir” pode vir depois do “fazer”, quando eu ver pessoas usando o meu trabalho e vidas sendo impactadas positivamente. ou talvez nem venha, afinal.
nesse ponto, me perguntei: se eu pudesse escolher sem culpa — só pelo prazer intelectual — em que problema matemático mergulharia hoje?
e a resposta foi óbvia, relacionada a desenvolver a teoria matemática para intervenções-chave em redes adaptativas. há um potencial de aplicações em redes sociais e econômicas — por exemplo, em simulações de estratégias capazes de romper com armadilhas de pobreza e desigualdade multidimensional — essa abordagem pode contribuir diretamente para pessoas e comunidades em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
meu propósito científico não é me emocionar com as desigualdades, mas criar rigor, modelos e ferramentas matemáticas eficazes. ou, ao menos tentar.
escolho aplicá-las a desafios cotidianos porque acredito que educação e ciência verdadeira deve dialogar com as necessidades humanas. minha paixão é a matemática; minha responsabilidade é com a vida.
Comentários
Postar um comentário